terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O fim é o caminho mais sereno.
Não há sanidade em viver grande tempo
sob esse nosso amor pequeno.

Esse amor já tão batido
já foi, também, ejaculado.

(a)morto.

F;

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

E para todo ódio que há na terra: há mar.

F;

domingo, 13 de dezembro de 2009

eu: o tal filho da puta.

É como dizem: 'ganhar a confiança de alguém leva tempo, perdê-la pode ser feito agora mesmo'.
Terrível pensar na hipótese de viver sem você, que me faz parte-por-completo, que divide os dias comigo, as tardes, as noites, sempre tão nossas. Todo ser humano nasce propício ao erro. Mas não eu, eu não poderia, eu não deveria, eu não. Sentei em mim e te chorei amargamente, sentindo fundo a dor que em você, com certeza, era maior. Isso não é uma mera carta de desculpas, sei que todos os perdões do mundos não lhe serão suficientes. Sei que o abalo, muitas vezes, traspassa a capacidade de perdoar, e não tiro de você o direito a isso.
Escrevo através de minhas lágrimas que, agora, me escorrem pelos dedos (dessa mão tão imunda, indecentemente capaz de trair você).

[o meu pedido estará sempre comigo,
só não se esqueça, minha cara
que sempre fora, meu abrigo.]

pardon...

F;

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

oração

O teu sorriso de canto
é o que me causa encanto,
e me estraga a vida.

Teu órgão despeja,
mas bendita seja
a puta que te pariu.

Amém.

F;

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

amor, ódio, vazio

- Você me ama? perguntou ele.

(nosso sexo nunca foi sexo. fazia aquilo tudo pelo simples fato de fazer, pelo fato de venerar o entrosamento entre os corpos, entre os pêlos, entre os órgãos, entre a tua barriga magro-definida e a minha branca, de clarear os olhos. tua mão segurando firme o meu, já não dizia nada, e o teu pau rijo, severo e violento já nem me endurecia os mamilos. e eu que te sonhei por dias adentro, sonhei com os olhos bem abertos pois já nem conseguia mais dormir. te sonhei em minha janela, enquanto a lua beijava meu cigarro aceso, até o sol apagá-lo, disputando fervorosamente com a brasa de outros vários cigarros acendidos, um-atrás-do-outro. o pior do amar é o amar distante. te amo tanto quando estás longe que, ao te aproximares, meu amor não percorre, mas também não vira ódio: vira nada. vira falta de amor. vira vazio. hoje, já não quero mais desenhá-lo com a língua. quero mesmo é cuspir-te da minha boca: você e esse seu gostinho, impregnado no meu, confundido no meu travesseiro, impresso e exalando em minha pele. sinceramente, quero mesmo é que te deites ao meu lado, sem vontade alguma, sem qualquer contato físico-carnal, sem qualquer desejo, deixando-me incólume da vontade de querer-te que, apesar de, ainda pinga, esperando vazar a tua última gota que transborda em mim. eu sequer me entendo, para te entender ou compreender esse amor-ódio-vazio que tenho por ti.)

- Te amo, mas não conseguiria definir esse meu amor. Esquece o amor e me abraça? Mas não abraça meu corpo, e sim minh'alma.

se abraçaram então desde aquele dia friozinho de agosto, e se dissiparam por ai até o infinito, onde agora podiam ser estrelas, uma olhando para outra, uma piscando para a outra, uma frente-a-frente com a outra, sem a menor aproximação.

F;

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céu e saudade
Sempre me revelo, aos pedaços.
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